⛔ISO 31000:2018 Gestão de riscos
Fala galerinha que acompanha meus posts, Aqui está mais um post completo, baseado estritamente no conteúdo da ISO 31000:2018 (versão oficial brasileira da ISO 31000:2018). O texto evita generalidades e traz informações diretas da norma, com linguagem clara para profissionais e interessados no tema. Espero que gostem!
Data da elaboração: 15 de maio de 2025
O que é a ISO 31000 e por que ela é diferente?
Diferente do que muitos pensam, a ISO 31000:2018 não é uma norma certificável. Ela é um conjunto de diretrizes – um verdadeiro manual de boas práticas – que pode (e deve) ser personalizado para qualquer organização, independentemente do porte, setor ou estágio de maturidade.
No Brasil, a versão oficial é a ABNT NBR ISO 31000:2018, publicada em 28 de março de 2018, que cancelou e substituiu a edição anterior de 2009.
O propósito da gestão de riscos, segundo a norma, é único: criação e proteção de valor. Ela melhora o desempenho, encoraja a inovação e apoia o alcance dos objetivos.
Os 8 princípios que sustentam tudo
A norma é clara: uma gestão de riscos eficaz exige os seguintes elementos listados abaixo e sem eles, você pode até “controlar riscos”, mas não estará fazendo gestão de riscos de verdade.
- Princípio: Significado prático
- Integrada: Faz parte de todas as atividades organizacionais, não é um departamento separado.
- Estruturada e abrangente: Gera resultados consistentes e comparáveis.
- Personalizada: Proporcional aos contextos externo e interno da organização.
- Inclusiva: Envolve partes interessadas (stakeholders) no momento certo.
- Dinâmica: Riscos surgem, mudam ou desaparecem – a gestão deve antecipar e responder.
- Melhor informação disponível: Usa dados históricos, atuais e projeções futuras, reconhecendo limitações.
- Fatores humanos e culturais: Comportamento e cultura influenciam todos os níveis.
- Melhoria contínua: Aprendizado e experiência impulsionam a evolução.
A norma afirma textualmente: “O comportamento humano e a cultura influenciam significativamente todos os aspectos da gestão de riscos em cada nível e estágio.”
Estrutura da gestão de riscos (o “esqueleto” da norma)
A estrutura não é um organograma. É o conjunto de componentes que dão suporte à gestão de riscos em toda a organização. Segundo a ISO 31000:2018, os componentes são:
1. Liderança e comprometimento – A alta direção e os órgãos de supervisão devem assegurar a integração do risco em todas as atividades.
Nota importante da norma brasileira: “accountability” foi traduzido como responsabilização, ou seja, prestar contas. A alta direção é responsabilizada por gerenciar riscos; os órgãos de supervisão, por supervisionar.
2. Integração – A gestão de riscos não é separada do propósito, governança, estratégia e operações.
3. Concepção – Inclui entender a organização e seu contexto (interno e externo), articular o comprometimento, atribuir papéis, alocar recursos e estabelecer comunicação e consulta.
4. Implementação – Por meio de planos claros, modificação de processos decisórios e engajamento das partes interessadas.
5. Avaliação – Medir periodicamente o desempenho da estrutura em relação aos indicadores e comportamento esperado.
6. Melhoria – Adaptação contínua às mudanças externas/internas + melhoria contínua da adequação e eficácia.
O processo de gestão de riscos (o “coração” da norma)
A norma descreve um processo iterativo, não linear. Ele é aplicável a níveis estratégico, operacional, de programas ou projetos. As etapas são:
1. Comunicação e consulta
Não é uma fase isolada. Ela permeia todas as etapas. O objetivo é auxiliar as partes interessadas a compreender o risco e as razões das decisões. A consulta obtém retorno; a comunicação promove conscientização.
2. Escopo, contexto e critérios
Antes de avaliar qualquer risco, você precisa definir:
· Escopo – Quais objetivos, decisões, prazos, localizações.
· Contexto externo – Fatores sociais, culturais, políticos, legais, tecnológicos, econômicos, etc.
· Contexto interno – Governança, cultura, estratégia, recursos, processos, sistemas.
· Critérios de risco – Quanto e que tipo de risco a organização pode ou não assumir (o famoso “apetite a risco”).
3. Avaliação de riscos (subdividida em três)
· Identificação de riscos – Encontrar, reconhecer e descrever riscos (ameaças e oportunidades). Inclui fontes tangíveis e intangíveis, causas, eventos, vulnerabilidades e capacidades.
· Análise de riscos – Compreender a natureza do risco: probabilidade, consequências, eficácia dos controles, complexidade, fatores temporais. Pode ser qualitativa, quantitativa ou mista.
· Avaliação de riscos (proper) – Comparar os resultados da análise com os critérios estabelecidos para decidir: não fazer nada, tratar, analisar mais, manter controles ou rever objetivos.
4. Tratamento de riscos
Selecionar e implementar opções. A norma lista as possibilidades:
· Evitar o risco (não iniciar a atividade)
· Assumir/aumentar o risco para perseguir uma oportunidade
· Remover a fonte de risco
· Mudar a probabilidade
· Mudar as consequências
· Compartilhar o risco (contratos, seguros)
· Reter o risco por decisão fundamentada
“A justificativa para o tratamento de riscos é mais ampla do que apenas considerações econômicas” – inclui obrigações legais, compromissos voluntários e visão das partes interessadas.
5. Monitoramento e análise crítica
Deve ocorrer em todos os estágios do processo. Não é opcional. Os resultados alimentam a gestão de desempenho da organização.
6. Registro e relato
Documentar o processo e seus resultados. O relato é parte integrante da governança e apoia a alta direção e os órgãos de supervisão no cumprimento de suas responsabilidades.
O que a ISO 31000 NÃO é (muita gente se confunde)
· ❌ Não é uma norma certificável (não existe “certificado ISO 31000” para empresas).
· ✅ É um guia de diretrizes – você a personaliza e integra aos seus processos existentes.
· ❌ Não substitui normas setoriais (ex: ISO 9001 para qualidade, ISO 27001 para segurança da informação).
· ✅ Pode ser usada em conjunto com elas.
Benefícios diretos (extraídos do próprio texto da norma)
A norma não promete milagres. Ela afirma que a gestão de riscos bem aplicada:
· Melhora o desempenho
· Encoraja a inovação
· Apoia o alcance de objetivos
· Permite que a organização aborde explicitamente a incerteza na tomada de decisão
· Ajuda a reconhecer e abordar obrigações e compromissos voluntários
· Promove o monitoramento sistemático de riscos
Referências bibliográficas
· ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 31000:2018 – Gestão de riscos — Diretrizes. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 17 p.
· INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 31000:2018 – Risk management — Guidelines. Geneva: ISO, 2018.
· ABNT. Prefácio Nacional da ABNT NBR ISO 31000:2018, páginas v e vi.
Conclusão para você que precisa aplicar agora
Se você está começando na gestão de riscos, não tente implementar tudo de uma vez. A própria norma recomenda: avalie suas práticas existentes, identifique lacunas, personalize os componentes da estrutura para a sua realidade.
E lembre-se: risco não é só ameaça. A norma define risco como “efeito da incerteza nos objetivos”, e esse efeito pode ser positivo, negativo ou ambos. Ou seja, uma boa gestão de riscos também captura oportunidades.
Quer saber mais? Acesse o texto integral da ABNT NBR ISO 31000:2018 – são apenas 17 páginas diretas e objetivas.
Alex Fersan é engenheiro de segurança do trabalho e especialista em análises de risco.
ELABORAÇÃO EM: 04 de Abril de 2025.
PUBLICADO EM: 31 de Julho de 2026.
APOIO: FERSAN ENGENHARIA'S
AUTOR: Alex Fersan
Formações: Engenheiro de segurança do trabalho; Matemático; Engenheiro civil
Especialidades: Matemática e Física; Engenharia de estruturas de concreto armado e fundações
Engenharia de avaliações e perícias; Engenharia sanitária e ambiental; Gestão Pública.
FERSAN ENGENHARIA'S – Compartilhando conhecimento técnico para uma engenharia mais segura e eficiente.
Whatsapp:
+55(21)9.8914-6287 (COMERCIAL)
Celular: +55(21)9.8914-6287
fersan.engenharia@gmail.com.br
★★★★★ FERSAN ENGENHARIA'S ★★★★★
Damos asas aos seus sonhos!
Gostou do conteúdo? Compartilhe com sua equipe.

Comentários
Postar um comentário
Curtiu o nosso post, deixe seu comentário.